Hype Cycle, a jornada das tecnologias disruptivas
A super consultoria Gartner
construiu um conceito muito interessante para acompanhar a trajetória de
tecnologias disruptivas há mais de 10 anos. Chama-se "Hype Cycle" e ajuda a entender como se comportam essas
tecnologias. Isso é importante para apoiar os processos de lançamento mais planejados
e fundamentar a jornada empreendedora daqueles que estão envolvidos,
principalmente para não desistirem antes do tempo ou sucumbirem a expectativas
desmedidas de stakeholders.
Por sua vez, a palavra "hype" remete a algo que está "dando o que falar",
assunto sobre o qual todos comentam, derivando de hipérbole, a figura de linguagem que representa o exagero
ou a estratégia para enfatizar alguma coisa.
Tudo começa com o "Innovation
Trigger", o lançamento da tecnologia em si, englobando o P&D, as
provas de conceito iniciais e ajustes,
sem a viabilidade comercial nem o produto fechado.
Daí atinge-se o "Peak
of Huge Expectations", quando já se pode ter alguma publicidade e histórias
de sucesso surgem. Aí já surge um momento na curva de grande atenção, quando já
ocorrem alguns investimentos. Muitos empreendedores já se perdem por aqui
achando que performaram. Análises incorretas a partir de indicadores
equivocados podem colocar fim na história. Vide inúmeros aplicativos para
smartphones que sucumbiram dessa forma. Para fugir disso as startups devem
catalogar erros e acertos e partir para os upgrades, o que faz a curva de
expectativas começar a declinar.
Surge a fase mais curiosa, chamada pela Gartner de "Trough of Disillusionment", que é a
fase da decepção, o "vale da desilusão", onde se separam expectativas
infladas daquelas tecnologias que são sustentáveis. O interesse geral declina
quando testes e implementações não tem sucesso. A startup fica abalada e só mantém-se
de pé aqueles que melhoram a tecnologia para a satisfação dos primeiros
usuários.
Passado esse período difícil, o Hype Cycle define como "Slope of Enlightenment" a próxima
fase. É na "Ladeira do Encantamento" que novas funcionalidades e interfaces
da tecnologia são percebidas e clarificadas nas novas versões implementadas. Os
investidores ressurgem com mais força nesse momento.
A última fase é o "Plateau
of Productivity" (Platô da Produtividade), onde a ampliação dos
usuários decola, face à aplicabilidade e relevância da tecnologia no mercado.
Vale citar aqui a adesão desse conceito de trajetória de
tecnologias na teoria dos "6D das Organizações Exponenciais", criada pelos
renomados Peter Diamandis e Steven Kotler, onde o segundo "D" é
justamente o da decepção, imediatamente anterior à disrupção em si, mesmo
abordando essa decepção como uma fase de exponencialidade que demora a se
agigantar (como no case da foto
digital, que começou com 0,01 megapixel e demorou duas décadas para se
consolidar). Vale ver o vídeo:
Concluindo, gerar disrupções tecnológicas demanda paciência,
planejamento e muita inteligência, além das grandes idéias que deram inicio ao sprint. Do ponto de vista dos usuários
deve ficar clara a diferença entre usar tecnologias em fase de
"deslumbramento" ou já no platô de produtividade.

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