Algumas tendências e realidades em IoT, data driven business e eficiência em processos
Amigos,
hoje pude conhecer a excelente estrutura do Knowledge
Center da GS1 Alemã, na cidade de Colônia, aprofundando um pouco mais em tendências,
realidades e conceitos sobre padronizações, sensorização e IoT, especificações técnicas,
data driven business e logística inteligente como fatores de competitividade
empresarial de fronteira. Tivemos a oportunidade de frequentar laboratórios
super interessantes ligados às cadeias de suprimentos da saúde, carnes e
mercearias.
A GS1
A GS1 é “uma
organização neutra e sem fins lucrativos que desenvolve e mantém os padrões
globais mais utilizados para uma comunicação empresarial eficiente”(definição em
seu site). Seu maior reconhecimento é pelo desenvolvimento dos códigos de
barras.
O pano de
fundo do seu trabalho é implementar e disseminar padrões de identificação de
produtos, agregando valor às cadeias de suprimentos, de ponta a ponta, com mais
eficiência e segurança.
Estão presentes em 112 países,
sendo o Brasil o quinto país com mais associados, cerca de 58 mil. São 1,5
milhão de empresas usuárias, com 6 bilhões de transações diárias.
A GS1 alemã
é uma referência global em inovação de ponta, considerada a mais avançada entre
os 112 representantes. Seu Knowledge
Center foi criado em 2008 e já reformulado em 2017.
Cadeia de valor da saúde
No lab vinculado à saúde é possível conjugar
a perspectiva de valor das clínicas e hospitais, fabricação de medicamentos e
insumos, além da comercialização em si, combinando a logística e processos de
aquisição com os processos documentados e tecnologia.
O
mapeamento de processos, a rastreabilidade e a definição de global standards, permitem ganhos de eficiência
incríveis em, por exemplo:
- Redução
de perdas de medicamentos por perda de validade ou defeito (10% desses produtos
se perdem );
- Recall
de quaisquer produtos em tempo real;
- Uso
correto e padronizado de instrumentos médicos, com cálculo e histórico de uso;
- Rastreabilidade
de todo o tratamento ministrado com escaneamento e processamento de crachás,
embalagens e etiquetas, o que permite registrar e analisar padrões de prescrição,
uso, ministração, resultados, etc.
-
Dificultar a pirataria e roubos de medicamentos.
Cadeia de valor de carnes e
peixes
Aqui
conhecemos um ambiente de demonstração da solução de rastreabilidade F-Trace,
que busca melhorar a eficiência e a confiança ao longo dessas cadeias de
fornecimento, do campo à mesa, padronizando setores inteiros e capacitando as
empresas a compartilhar informações sobre todo o processamento e venda, de
forma ultra transparente. Produtores, fabricantes e varejistas podem fornecer
informações sobre a origem, o processamento e a qualidade de seus produtos
entre si e para os consumidores, que estão cada vez mais conscientes e
valorizando tais ativos.
Com variadas informações num data lake dos produtos rastreados, os consumidores, processadores, varejistas e quem mais se interessar podem visualizar como um produto foi criado, durante todo o processo de produção e processamento, fomentando confiança, padronização, atendimento de requisitos ambientais e fitossanitários, dentre outros ganhos.
Mercearias e omnicanalidade
No lab voltado a demonstrações e operações de
varejo em mercados, a cadeia de valor se inicia na cozinha de um avatar chamado
Michael, que interage com seu assistente pessoal, como nos filmes, solicitando
lembretes e tarefas (compras, por exemplo), realizando vídeo chamadas e
organizando trilhas sonoras (mesmo, que, como foi bem explicado, ainda não haja
capacidade de processamento e geração de dados suficientes para que isso aconteça
na prática, em alguns anos isso será plenamente possível. Mas vale como gancho
para as demais demonstrações).
A falta
de alguns itens para uma receita, nos leva ao mercado, onde passamos a
interagir com sensores e ter a nossa presença digital identificada pelo
estabelecimento, que, assim que entramos, passa a nos oferecer descontos e
alertas customizados (como, por exemplo, lembretes de alergias para
determinados itens e cupons de desconto para o que faltou na receita da cozinha).
Pudemos
ver o “código de barras invisível”, por meio do qual toda a embalagem se torna
o código, facilitando o manuseio pelos caixas e clientes, principalmente nas
embalagens menores (as embalagens não precisarão mais ser viradas e reviradas
em busca do código).
O
posicionamento nas prateleiras também foi abordado, tendo se tornando algo
muito importante para o comportamento de compras e eficiência dos pontos de
venda, já que passa a ser importante como o produto foi retirado e porque. Também
foi explicado o ganho de eficiência tanto para o estabelecimento quanto para o
consumidor com prateleiras “sensíveis”, que detectam a retirada e devolução de
itens, com a mesma tecnologia que permite que o consumidor saia da loja sem ter
que parar nos caixas, com a cobrança automática (essa é uma enorme novidade,
utilizada em pouquíssimos lugares no mundo, mas que já parece batida de tanto
que vimos os vídeos e milhões de referências ao Amazon Go, em Seatlle, onde é
possível entrar, escolher o que quiser e sair sem ter que pagar no
caixa-paga-se automaticamente após sua identificação digital.).
Produtos
que estejam em falta no ponto físico podem ser comprados on line ainda dentro do estabelecimento, de forma a minimizar uma
possível frustração o consumidor.
E, pra
finalizar, foi detalhado um pouco mais o conceito de lockers externos, para entregas em pontos públicos para aqueles
consumidores que tem dificuldades pra receber encomendas em casa. Dessa forma,
há uma extrema otimização da “última milha” do processo de logística de entrega,
satisfazendo ambas as partes da operação. Já pude utilizar esse serviço da
Amazon (sempre ela!) nos Estados Unidos e foi uma mão na roda. Ao comprar é
possível indicar um de dezenas de lockers
em pontos de grande circulação e com funcionamento 24 horas, como lojas 7
Eleven e postos de combustíveis. Ao ser entregue, recebe-se um código por
e-mail que é digitado no locker. A
porta se abre, a mercadoria é recolhida e ponto final. Ah e tem mais: se, por
qualquer motivo que seja, o consumidor não recolher sua compra em até 3 dias, a
Amazon retira o produto e estorna automaticamente no cartão o valor da compra.
Sem perguntar nada!
Comentário final
Sem dúvidas
são inovações de impacto que vem mudando, e mudarão cada vez mais, a relação de
compra de produtos e serviços, bem como os vínculos entre marcas e
estabelecimentos com seus clientes. Vimos da saúde à compra de peixes, como agregar
valor, transparência, reduzir custos, etc, com tecnologias escaláveis e exponenciais,
que trabalham com big data por trás, orientando
várias e várias tomadas de decisão, tanto empresariais quanto dos consumidores
finais.
No
entanto, ainda não estão presentes, pelo menos na prática, os conceitos mais
amplos de plataforma, por meio do qual se trocam valores por dentro dos serviços,
de forma ativa. Isso poderia acontecer de forma aguda a partir de um ambiente
de recomendações de produtos, serviços e estabelecimentos, avaliação após o
consumo, abertura de uma cadeia de serviços acessórios que se alavancassem
mutuamente, dentre outras possibilidades.
Estou falando
de algo como envio de ofertas de produtos de mercearia ou medicamentos sem
prescrição, recomendados por clientes com meu perfil ou para situações específicas,
resolvendo problemas específicos do dia a dia, opções de preparo e substituições
de itens e sugestões de acompanhamentos funcionais ou temáticos para as carnes
e peixes rastreados, a partir de outra plataforma de chefs ou interessados em
culinária.
Essas
interconexões e trocas exponenciais gerariam ainda uma maior alavancagem de eficiência,
ampliando as cadeias de valor, a partir de um ativo que pode ser considerado o
mais importante em qualquer relação de consumo: o valor que os consumidores
conferem ao que estão comprando, fidelizando-se e recomendando.


Comentários