10 erros que as empresas jovens cometem
De Juliana Elias, do www.papodeempreendedor.com.br
Quando um negócio recém-criado começa finalmente a deslanchar, a
ideia de que ele já deu certo é uma conclusão bastante atraente e
confortável. Mas é um erro. Apenas mais um dos vários erros que os
líderes de negócios nascentes e em ascensão costumam cometer.
Tanto a criação de uma empresa quanto os primeiros momentos rumo ao
seu sucesso exigem uma série de cuidados e, mais do que isso, uma
tranquila e despretensiosa humildade, o que inclui desde compartilhar as
decisões com as pessoas ao seu redor até a simples atitude de admitir
um erro.
1. Esperar que a companhia cresça antes de formalizá-la.
A dica foi dada em uma publicação norte-americana, o que mostra que não
é só no Brasil que a formalização é um problema entre negócios
iniciantes. E, mais do que isso, uma solução que deve ser garantida
também. Nos Estados Unidos, ressalta Zwilling, o principal entrave está
no embaralho legal e financeiro entre decidir se o registro, de início,
deve ser feito como uma sociedade anônima ou uma companhia limitada. No
Brasil, passa pela burocracia e a carga tributária que vêm junto com a
regularização. Ainda assim, as indicações são as mesmas: a regularização
é o primeiro passo a mostrar a todos que você é sério. O processo de
formalização também força o empresário a registrar um nome para o
empreendimento, e lhe garante uma série de seguranças legais, como a de
propriedade intelectual.
2. Confiar em acordos informais. É mais ou menos o
que os dois colegas de faculdade Mark Zuckeberg e Eduardo Saverin
fizeram quando, ainda estudantes de Harvard, lançaram o Facebook: deixar
para depois a parte de contratos formais. O resultado – um longo
processo de Saverin contra Zuckeberg, exigindo mais tarde sua
participação nos ganhos da companhia –, é mais comum do que se imagina.
Esse problema pode e deve ser evitado com a formalização dos contratos e
a definição da participação de cada sócio logo no início da empresa.
3. Contratar rapidamente, demitir devagar. Um erro
comum entre as jovens companhias de crescimento rápido é sair
desesperada e estabanadamente atrás de novos funcionários. Isso, no
entanto, não raramente desemboca em outro problema comum: a baixa
produtividade desse funcionário, e a dificuldade em mandá-lo embora
depois. Para evitar isso, em primeiro lugar, é necessário contratar bem:
a lição de casa passa por uma descrição clara do que a vaga exige e uma
boa pesquisa acerca dos candidatos antes de pular direto para as
entrevistas. Se isso não for bem-feito, a probabilidade de o novo
funcionário não ser exatamente o que a empresa precisa e, assim, ter um
baixo rendimento é grande; o que implica custos mais altos para
mantê-lo.
4. Contratar pessoas que gostam de você. Ser
bajulado é bem legal, mas não necessariamente paga as contas. Alguns
executivos têm essa ideia de misturar negócios com diversão e levar
relacionamentos pessoais para dentro do escritório. Mas vale ter como
regra antes escolher os seus empregados antes por critérios
profissionais do que por amizade.
5. Subestimar as necessidades financeiras. Refaça
mais de uma vez as contas de quanto dinheiro será necessário para fundar
e dar os primeiros passos de seu negócio. Você pode ficar surpreso,
depois, com a quantidade de detalhes que esqueceu e com a rapidez com
que o dinheiro escorre. Um fluxo de caixa defasado é um erro grande, e
que pode não ser recuperável. Em caso como esses, em que o cobertor fica
mais curto do que o frio que se calculou, há sempre a possibilidade de
pegar empréstimos para cobrir o rombo, mas eles muito provavelmente
serão caros também. O melhor mesmo é planejar de forma a não precisar
deles.
6. Deixar que os contadores cuidem dos gastos.
Diversos empresários julgam que a prioridade, no início de um negócio, é
zelar pelos produtos e pelos clientes. Na verdade, a tarefa mais
importante é ter todos os gastos na ponta do lápis e reduzi-los ao
máximo até que o negócio tenha de fato deslanchado. Não delegue essa
tarefa a ninguém. O trunfo é fazer um orçamento apertado e conseguir
ainda gastar menos do que ele prevê. O resultado de um orçamento
estourado não afeta apenas o crescimento da empresa, mas também a
credibilidade com fornecedores, clientes e possíveis investidores.
7. Tomar as decisões sozinho. Ao mesmo tempo em que é
importante ter o controle de tudo o que está acontecendo, é necessário
também saber dosar a centralização. Deixar a cargo de si mesmo todas as
decisões é um grande e recorrente erro. Para uma empresa crescer, a
equipe se verá obrigada a crescer também, e, com isso, as decisões
deverão naturalmente se pulverizar. Um empreendimento inteligente
contrata tomadores de decisão, e não meros funcionários. É bom ter,
inclusive, uma pessoa com afinidade, mas também com contrapontos a suas
ideias, desde a concepção do projeto, com quem possa compartilhá-lo.
Resista à tentação de fazer as coisas sozinho e apenas ao seu modo.
8. Definir uma estratégia congelada. Admita que o
seu plano inicial pode dar errado. A maioria das startups acaba, alguma
hora, tendo que refinar e rever suas estratégias de mercado em vários
momentos. Então esteja alerta e seja flexível – inclusive porque há uma
série de fatores externos que podem surgir sem licença; seja uma
recessão econômica, um novo competidor ou uma mudança súbita de mercado.
Uma sugestão é agendar reuniões mensais para rediscutir frequentemente o
plano de estratégia. E não deixe também de manter a equipe informada
sobre as mudanças, já que a falta disso pode parecer desorganização e
falta de metas.
9. Deixar que as crises diárias tirem-no do negócio central.
Saber distinguir as tarefas mais importantes e se concentrar nelas
exige prática e esforço. Por “mais importante”, entenda: acompanhar o
mercado, o atendimento aos clientes, a contenção de custos e a batalha
com os competidores. É importante saber também os momentos de delegar
tarefas, dialogar com a equipe e mesmo de descansar. Se você se deixar
levar pelos pequenos problemas diários, perderá as prioridades do foco.
Trabalhar individualmente e centralizar todas as tarefas é uma boa
medida naquela fase bem inicial, em que o projeto ainda está sendo
criado e erguido, e em que o fundador inevitavelmente se torna sua
principal peça. Mas essa centralização deve evoluir aos poucos para uma
forma mais coletiva de se pensar.
10. Ignorar os erros. O maior erro dos donos de
jovens negócios é deixar de aprender com os erros – os dos outros e os
próprios. As pessoas mais sábias admitem logo que erraram e mudam
imediatamente o foco de culpar a situação para aprender com ela. A
verdade é que o erro é uma parte inevitável de qualquer negócio de
sucesso. Frente a isso, a melhor coisa a fazer é torná-los aliados e
aprender com eles. O único equívoco imperdoável é repetir os mesmos
erros. A grande conclusão, por fim, é que tentar e não dar certo é
melhor do que não tentar. E, para que um negócio cresça e tenha sucesso,
não tentar não é uma opção.
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