Um exemplo de interação empresa-academia na Universidade de Aachen
Outra imersão muito interessante
na nossa visita à Alemanha foi no “Institut für Textiltechnik” (ITA) da Aachen
University. Trata-se de um instituto de tecnologia para o setor têxtil, que é um
elo entre a universidade e as empresas, com foco em equipamentos de fibra
química, máquinas têxteis, compósitos de fibra, biohybrid e medical textiles e
outras soluções abrangentes ao longo da cadeia têxtil, bem como assistência na
transferência de tecnologias.
Ele é um dos 240 institutos da Universidade
de Aachen (de onde já saíram 5 Prêmios Nobel) e conta com corpo técnico de 400
pessoas, entre pesquisadores, estudantes e pessoal administrativo.
Exemplos de pesquisa e desenvolvimento
Várias aplicações super
inovadoras vem sendo desenvolvidas, a maior parte delas sob demanda empresarial, mas algumas
também por iniciativa acadêmica, como, por exemplo:
- Fibras óticas resistentes a
corrosão, que são aplicadas em estruturas de concreto, mantendo a resistência,
mas com muito menos peso.
- Fibras de carbono em estruturas
bem complexas, como carros, por exemplo.
- Têxteis inteligentes, que
supervisionam funcionalidades físicas em internações medicas, prescindindo de
cabos e certos aparelhos e cuidados com idosos, para, por exemplo, monitorar
postura e tempo deitado.
- Ainda na seara dos têxteis inteligentes,
estão em desenvolvimento tecidos para colchões que monitoram o sono e postura
ao dormir.
- Fios para medicina, cerca de 20
vezes mais finos que os tradicionais.
Vê-se claramente a aplicação de
materiais têxteis em usos dos mais diversos e inovadores, como medicina, construção
civil, automobilismo e aviação, por exemplo.
Como funcionam os projetos
Um projeto de pesquisa demora de
1 a 5 anos para encerrar seu ciclo, em que pese haja poucos casos de conclusão em
alguns meses. A média é de 3 anos de P&D, com mais 1 ano de testes. E o lançamento
em mercado não é feito pelo instituto e sim pela empresa financiadora da pesquisa.
O foco é a cadeia até a chegada
dos tecidos em confecção. Daí pra frente torna-se muito mais complexo gerar inovações
pela alta dependência de mão de obra humana. E são buscados sempre padrões globais
para baratear os custos ao máximo.
E como funciona o financiamento do Instituto?
5% são custeados pelo governo,
vinculados aos custos do prédio e benfeitorias, além dos salários dos
professores. 30% vem das empresas, com projetos sigilosos e/ou individualizados.
30% advém de algo como editais de pesquisa, para os quais os projetos são submetidos.
E, por fim, 30% é recebido de um mix de empresas e recursos públicos, para P&D de benefício amplo, de
todo um segmento.
Isso redunda num orçamento anual
de 15 milhões de euros.
O Digital Capability Center/DCC
O ITA constituiu uma sociedade
LTDA com a Consultoria McKinsey, dentre outros parceiros menores, que é o DCC, em abril de 2017. Atualmente tem em produção uma pulseira
RFID de múltiplas aplicações. Seu foco é a indústria 4.0.
O centro atua como um hub para
fornecer capacitação em um ambiente de demonstração e aprendizado da vida real,
bem como uma base de testes para pilotar e pivotar novas soluções digitais.
Nele há um ambiente de fábrica realista, uma cadeia de valor de ponta a ponta,
desde o pedido até a entrega para a fabricação de uma pulseira inteligente e
personalizada. Nós pudemos projetar uma pulseira e participar de parte do
processo de produção.
Por fm, nesse processo foram vivenciadas situações
de uso de realidade aumentada para manutenção e configuração de equipamentos, utilização
extrema de sensorização com a consequente captação de dados para analise e
tomada de decisão via dashboards com vistas à criação de padrões e ampliação de
produtividade. Também foram apresentadas estações de trabalho adaptativas.


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