Power Hacks nº3, com Allan Costa: Inovações Exponenciais e Investimentos
Hoje o papo é com o Allan Costa, um dos fundadores da plataforma AAA, autor do livro 60 dias em Harvard - Diário de um AMP: Os aprendizados do melhor curso de formação de executivos do mundo, mentor e investidor de várias startups, palestrante e fomentador do empreendedorismo inovador no país.
Allan, ouvimos falar muito das “techs”: insurtechs, healthtechs, fintechs,
edutechs, por exemplo. O que realmente são oportunidades e o que é modismo?
Todas essas techs fazem parte de um movimento que está acontecendo, que é o de tentar
identificar áreas com bastantes problemas a serem resolvidos, lembrando que -
quando falamos de startups - é
fundamental que se busque resolver alguma dor. Não tem como ser diferente.
Quando falamos de healthtechs, fintechs,
lawtechs, edutechs, todas essas áreas são muito cheias de problemas, então,
temos um misto das duas coisas.
É um pouco de modismo sim, porque
startups viraram moda e, muitas vezes, essas expressões vem de empresas que não
apresentam a consistência recomendável. Apesar disso, há várias áreas que
carregam oportunidades de fato, devido aos problemas existentes. Isso pode ser
comprovado pelas várias startups que
estão tendo resultados extraordinários em pouco tempo, com soluções eficientes,
de baixo custo e com alta possibilidade de escala.
Você acredita que erros ensinam
tanto quanto acertos? Você pode citar um erro que te trouxe um grande
aprendizado na sua trajetória?
Eu assisti a um palestrante
defendendo que esse papo de errar “rápido e barato” era um absurdo e que as
coisas deveriam acontecer de forma correta da primeira vez, bastando para isso
ouvir e conversar com todo mundo. Só há um problema: as startups não têm milhares de funcionários para ter um headcount necessário para ter pessoas
conversando e discutindo as melhores iniciativas enquanto as coisas estão
acontecendo lá fora muito rapidamente.
Então, errar rápido e barato é
extremamente importante num ambiente de inovação, em que todo o processo de
desenvolvimento de produtos e soluções é feito a partir da interação com o
cliente. Só é possível imaginar o contrário para quem não interage com o
cliente para testar o produto. É nesse sentido que os erros acabam ensinando
muito mais do que os acertos, porque eles nos sinalizam, de maneira muito
concreta, qual o melhor caminho para aquilo que estamos querendo fazer, tanto
em microambientes, onde se fazem ajustes, quanto no macro, onde os erros podem
sair um pouco mais caros.
E eu compartilho uma experiência
minha, de um erro que acabou se revelando uma de minhas maiores fontes de
aprendizado. Em um determinado momento da minha carreira como executivo, que ia
muito bem, eu tomei uma decisão somente baseada em quanto dinheiro a mais eu
iria ganhar. Achei que estava fazendo a escolha certa, mas utilizava dinheiro
como medida de sucesso e me equivoquei bastante. Eu percebi que o dinheiro a
mais não fez nenhuma diferença em minha vida, ao mesmo tempo em que isso me
trouxe um profundo sentimento de infelicidade, faltando um propósito, estar
envolvido em algo maior, mais relevante. Foi um erro que me custou muito
pessoalmente - pois tive que rever várias coisas -, mas não há crescimento sem
dor. Nós temos que estar dispostos a passar por esses percalços. Mas essa
situação relatada foi determinante para eu chegar onde estou e fazendo as
coisas que faço hoje.
Inovação e tecnologia são campos
muito amplos. Qual deve ser o foco dos empreendedores que querem investir seu
tempo, dinheiro e inteligência em negócios exponenciais?
A resposta mais evidente para
empreendedores que buscam identificar negócios exponenciais seria buscar
segmentos de negócios que apresentam muitos problemas, como as insurtechs, healthtechs, fintechs, edutechs.
Mas eu poderia complementar essa resposta sugerindo que esses empreendedores
prestassem muita atenção naquilo que se convencionou chamar de “desmonetização
da economia”. Se olharmos para o aparelho de celular que temos em mãos hoje,
vemos bits e bytes que desmaterializaram uma série de equipamentos que deixaram
de existir, como gps, rádio, máquina fotográfica, filmadora, cd player. Tudo
isso deixou de existir como coisas e, ao mesmo tempo que os smartphones
causaram o desparecimento dessas indústrias, eles geraram uma série de
oportunidades de se criar coisas novas através desse movimento de
desmonetização.
Então, se de um lado, desapareceu
a indústria de CD, de outro, tivemos o surgimento de um ecossistema inteiro de
distribuição de músicas de formas inovadoras, gerando uma infinidade de
oportunidades ao longo da cadeia de distribuição que não existia até então. Na
medida em que compreendemos o impacto que tecnologias exponenciais estão
causando nos negócios e conseguimos antecipar produtos, coisas, aspectos,
indústrias que tendem a ser desmonetizados, está aí uma grande oportunidade de
se antecipar a esses movimentos e criar negócios que possam ser exponenciais.
Qual a maturidade mínima para um
negócio ou ideia ser investido por você?
Não existe uma receita de bolo
sobre a maturidade mínima dos negócios que eu procuro para investir. O
empreendedor é o principal critério de escolha. Tem que ter “o brilho no olho”
aliado a uma boa capacidade de realizar. Então, temos que ver o histórico, o
que move o empreendedor. Mas falando do negócio em si, a maturidade que a gente
espera é que uma hipótese nova de resolver algum tipo de problema significativo
tenha sido testada, validada efetivamente - e não por meros telefonemas -, com
um MVP rodando e alguém pagando pelo serviço, ainda que sejam poucos usuários.
Atingido esse estágio, em que já se tem clientes pagantes, é possível fazer uma
projeção minimamente razoável que, com dinheiro injetado naquele negócio, o
potencial de crescimento vai ser muito maior.
Agora faça a pergunta que não foi
feita e deixe para a reflexão dos leitores do blog.
A pergunta que não foi feita
trata daquilo que deve mover um empreendedor na hora de criar uma startup. É lógico que todas essas coisas
sobre as quais falamos são super importantes, mas eu não consigo ver bons
negócios, startups verdadeiramente exponenciais sem que o empreendedor esteja
trabalhando por um propósito. O AirBnb, por exemplo, foi criado a partir da
necessidade de se gerar um dinheiro alugando um quarto e isso foi transformado
num propósito maior. O Uber veio não para dominar o mundo, mas para resolver um
problema de transporte na cidade de São Francisco, que há décadas não emitia
licenças de táxis. Se locomover de carro lá era uma insanidade. Daí alguém
tomou isso como um propósito de vida, que passou a ter escala global.
A gente acabou de criar o AAA,
por exemplo, que é um plataforma de inovação e tecnologia, que propõe entregar
informação para a tomada de decisão das pessoas nesses assuntos, mas isso não
foi feito buscando “dominar o mundo”. O que percebemos - eu, Ricardo Amorim e
Artur Igreja -, como palestrantes, viajamos o Brasil inteiro e recebemos
feedbacks excepcionais das pessoas a respeito daquilo que falamos e o efeito
que pode ter na vida e nos negócios delas. Mas como podemos ampliar isso? Nós
temos uma limitação de espaço e tempo e não conseguimos estar em todos os
lugares ao mesmo tempo. Então, criamos o AAA por um propósito, que é ampliar as
possibilidades de ajudar as pessoas. Se isso vai virar uma plataforma de
sucesso é a parte menos importante, mesmo tendo atingido já 1.000 assinantes em
menos de uma semana de lançamento. A parte mais bacana é que já estamos criando
um valor para essas 1000 pessoas. Então, pense num propósito na hora que
estiver criando um negócio. Não vá para o lado financeiro. Perceba o que
realmente te move.

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