Power Hacks nº 1, com João Kepler: Mindset empreendedor, investimento anjo e estruturação de negócios
Amigos, pra comemorar 1 milhão de
visualizações, estamos lançando uma série muito bacana aqui no blog,
chamada Power Hacks.
Mentes brilhantes do mundo dos negócios
e do empreendedorismo digital vão falar das suas contribuições, ensinamentos,
inspirações e reconfigurações de conhecimentos e mindsets para empreendedores,
startupeiros, empresários tradicionais e demais interessados. Teremos Allan
Costa, Silvio Meira, Gil Giardelli, Edson Mackeenzy, Ana Carla Fonseca, João
Paulo Pacífico, Richard Alves, Marcelo Minutti e Jacques Barcia dando seus
hacks sobre empreendedorismo, propósito, inovações disruptivas, processos
inovadores, investimentos, transformação digital, formação de redes e
comunidades, futurismo, enfim, muita coisa interessante e super prática. Toda
semana vamos ter uma entrevista nova, com 5 perguntas instigantes e super
práticas.
E pra começar, o papo é com o João Kepler,
um dos maiores
investidores anjo do Brasil, sócio da Bossa Nova Investimentos, mentor e
fomentador do ecossistema de startups, além de palestrante e escritor.
João, entre time, modelo de negócio, produto, estrutura,
processos e métodos, o que deve ser priorizado para gerar uma boa impressão em
possíveis investidores de uma startup?
Tudo ao mesmo tempo se estiver madura, ou seja, mostrar que
encontrou o Product Market Fit. No entanto, dependendo do estágio da
startup, pode reforçar cada ponto. Por exemplo: Se estiver na fase de ideação,
deve reforçar o problema que quer resolver e o time. Se estiver na validação,
deve reforçar a solução, o modelo de negócio e o time Já se estiver em
desenvolvimento, deve reforçar que está validado e o time. Se em operação em
diante, deve reforçar o PMF e o time.
E os erros na trajetória de um empreendedor? Você acredita
que ensinam tanto quanto acertos?
No Brasil infelizmente tratamos os erros e fracassos apenas
como carimbo de [DERROTADO]. Na verdade os erros devem ser tratados como
experiência. Portanto, erros existem na trajetória e são comuns, o que não pode
é cometer os mesmo erros sempre, devemos aprender com eles e aceitar que
podemos cometer novos ao longo da jornada empreendedora.
Qual a maturidade mínima para um negócio ou ideia ser
investido por você?
Cada investidor profissional tem uma TESE DE INVESTIMENTO.
Na verdade eu ensino aos empreendedores que a busca por um investidor deve ser
focada e de nicho, no segmento, estágio e momento que ele investe. Nesse linha,
no meu caso, na Bossa Nova Investimentos, nossa Micro Venture Capital, só
investimos em startups que estejam no mínimo em estágio operando, faturando
(mesmo que pouco) e que tenha mais de 1 ano de vida.
Muito se fala sobre a necessidade dos empreendedores terem
um mindset global. O que significa isso na prática?
Mindset Global é na verdade um atributo individual e todo
empreendedor deveria pensar desta forma. Na prática é olhar para onde todo
mundo está olhando e enxergar o que a maioria não consegue enxergar. É olhar a
vida e as coisas externas por outras perspectivas. É pensar diferente e
procurar problemas para encontrar soluções. É praticar a teoria da
seletividade. É influenciar pessoas e colaborar e compartilhar praticando o #GiveFirst.
É ser aberto a disrupção e a inovação. É entender de GENTE.
Agora o espaço é seu. Deixe algumas reflexões para os leitores
do blog.
Depois de muitos anos vivendo o empreendedorismo posso
dizer que conheço bem o modelo na prática. Ao longo da minha vida desenvolvi e
empreendi em vários negócios, do mundo tradicional e digital, mas sempre
motivado por uma vontade imensa de fazer mais, de conquistar. Tive fracassos e
sucessos, experiências positivas e negativas ao longo desta jornada
empreendedora.
Além disso, nesses últimos 8 anos decidi parar de fazer
novos negócios e começar a apoiar e investir em negócios de outros
empreendedores porque poderia multiplicar meus resultados. A minha experiência
prática como investidor anjo me permitiu estar sempre em contato com centenas
de empresas e empreendedores.
Acredito que isso me credencia para fazer esse resumo que
por enquanto, são apenas 26 constatações e revelações que os anos de
experiência, os cabelos brancos, as porradas e os aprendizados, me trouxeram
até aqui:
A relação abaixo, não segue nenhuma ordem lógica (ou
cronológica):
- Empreender não é a única alternativa para o futuro.
- Empreendedor de palco é aquele que nunca fez nada de
concreto ou teve um CNPJ no seu nome e tenta ensinar os outros o que nunca
executou.
- O empreendedor não deve internalizar algum tipo censura
como culpa por um suposto fracasso, apenas ele deve entender que é o único
responsável pelos seus atos, mais ninguém.
- O fracasso financeiro e pessoal, não é “inferno” do
empreendedor, até porque fracassar faz parte do aprendizado pessoal e
crescimento profissional. Empreendedor é “bom de ouvido”, sabe que ouvir e colaborar
sempre que é demandado. Não se baseia apenas em um único livro, coach ou
mentor para se influenciar, ele usa diversos argumentos e experiências de
terceiros para trilhar seus próprios caminhos.
- Empreender nunca foi auto ajuda, aliás nunca vi nenhum
treinamento para empreendedor com a pegada: “Eu posso ou eu vou conseguir!”
para obter consistência pessoal.
- O empreendedor que não se planeja ou não tem metas, não
vai para o inferno, apenas não sabe para onde está indo e está mais sujeito a
falhar.
- A pessoa pessimista não está sentenciada como condenado,
acredito que cada um deve ter sua própria escolha e definição da sua vida, o
problema é quando interfere ou atrapalha a vida alheia com seu modo de agir e
pensar.
- Não existe nenhuma “salvação” para quem é proativo,
colaborativo, criativo, engajado ou que “veste a camisa da empresa”. O que
existe são atributos importantes para convivência corporativa ou de mercado.
Quem não tem esses atributos não será demitido ou vai para o inferno.
- Não entendo o “sair da caixa” como clichê ou uma fórmula
catequética ou ideológica. Acredito que é uma maneira de olhar o momento, o
ambiente e o conjunto das coisas, por outras perspectivas, não somente a sua.
- No empreendedorismo as reuniões são abertas e geralmente
não tem regras, algumas tem modelos como Design Thinking, Business Model Canvas
e tantos outros.
- Para empreender, você não precisa nascer rico ou ter todo
o dinheiro necessário. Você não precisa largar seu emprego logo de cara e,
claro, você não precisa se jogar de um penhasco.
- As idéias dos empreendedores nascem para atender uma
demanda as vezes ainda não mapeada. É como se você estivesse olhando para onde
todo mundo está olhando, mas enxergar o que ninguém está vendo ou procurar
resolver um problema real.
- Empreender não significa apenas abrir um negócio, mas
nesse mundo cada vez mais competitivo, a falta de emprego ou pela mudança dos
empregos por conta da tecnologia, é até natural que você busque alguma ideia inovadora e disruptiva, seja para se sustentar ou para fazer algo que ninguém
mais faria.
- A definição de gente vitoriosa não é somente: “Gente
Vitoriosa Cresce”. Isso é uma constatação. Ser vitorioso não é somente ter
dinheiro, mas ter resiliência, sobretudo o que acontece ao seu redor. O
vitorioso é ser um combatente e ser feliz assim.
- Os livros e métodos que existem, não são únicos. Na
questão do empreendedorismo, por exemplo, são vários. Centenas de livros e
artigos com ensinamentos de pessoas de fracassos e sucessos. Para o
empreendedorismo, esses livros não são como bíblias.Apenas tratam de
experiências vividas por pessoas reais, boas ou ruins, são narrativas para que
as pessoas se inspirem para compreender como tudo funciona e, se quiserem,
servir apenas de referência, não de regra ou doutrina.
- Em relação ao espírito empreendedor, esse espírito diz
respeito ao comportamento, ao mindset, à forma de lidar com sua própria
vida.Não são regras definidas ou proibições.
- Empreendedorismo para jovens, aprender desde cedo, não se
trata de “hagiografias” na analogia com a vida dos grandes empreendedores de
sucesso nos livros, para serem seguidas “cegamente”. Trata-se de mostrar aos
jovens que existem oportunidades no mercado, além do emprego, e na vida, além
do ambiente em que vive.
- Erros ou má fé de empresários não são sinais de
iniciativas empreendedoras, mas de exemplos que não devem ser estimulados ou
seguidos, mas, se está colocado no livro como mérito, é sim um sinal de alerta.
- As biografias dos “grandes empreendedores” não devem ser
confundidas com crenças mágicas ou um estudo a ser seguido. Não são da mesma
forma, manuais do como fazer. Como já disse, servem de inspiração ou orientação
para quem precisa.
- O empreendedorismo começa com sonhos e com idéias, porém
o seu talento para trabalhar e a sua capacidade e de sonhar é que fazem toda
diferença.
- Ao longo dessa jornada um dos diversos paradigmas
quebrados é que a VIDA é DURA também com quem é DURO, não somente com quem é
MOLE. Foi assim comigo!
- Para começar a Empreender em um negócio, você precisa ser
um insatisfeito e incomodado, não no sentido negativo, mas no sentido de querer
sempre o melhor. Sua insatisfação pode se transformar em um negócio.
- Se tá com medo, vai com medo mesmo, mas não se jogue de
um penhasco sem paraquedas. O Medo te sabota sim, mas pelo menos te faz pensar.
O único medo que deveríamos ter medo mesmo é do medo limitador.
- Se for Empreender: No lado empresarial: comece pequeno,
mas pense grande, seja arrojado e ousado de forma responsável, não infrinja
Leis e não se prenda apenas ao plano de negócios rígido e imexível! No lado
pessoal e emocional: acredite, seja positivo, persista, tenha resiliência,
espere firme a tempestade passar e não desista. Mas se for desistir, que seja
de forma consciente.
- Se existe “magia” no Empreendedorismo eu acredito que
esteja justamente no incompreensível por parte de quem não pratica, a questão é
mais simples, vou resumir: Aprender; Servir; Ganhar; Colaborar e Compartilhar.
No loop: Aprender; Servir; Ganhar;
Colaborar e Compartilhar, eu estou compartilhando com vocês. Espero que seja
útil.

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